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24   DEPRESSAO POS-APOSENTADORIA  Revista de Psicologia ATLASPSICO 1
 

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É imprescindível conceituarmos velhice e depressão baseado no eixo Comportamental, e ainda definirmos o que vem a ser trabalho e aposentadoria, para que posteriormente possamos discutir sobre a atuação do Terapeuta Comportamental em grupos de terceira idade, onde os idosos aposentados sofrem perdas significativas de seus papéis na sociedade, e desenvolvem comportamento depressivo,necessitando de intervenções terapêuticas rápidas e eficazes.

DEPRESSÃO PÓS-APOSENTADORIA

A RELAÇÃO ENTRE APOSENTADORIA E DEPRESSÃO EM IDOSOS DE BAIXA RENDA

O PRESENTE ARTIGO OBJETIVA TRABALHAR A DEPRESSÃO EM IDOSOS E SUA RELAÇÃO COM A APOSENTADORIA,PARTINDO DO CONCEITODE VELHICE E DEPRESSÃO A LUZ DO EIXO COMPORTAMENTAL, E RESPECTIVAMENTE CONCEITUANDO TRABALHO E APOSENTADORIA. A DISCUSSÃO GIRA EM TORNO DAS CONSEQÜÊNCIAS DA PERDA DO TRABALHO, ATRAVÉS DA APOSENTADORIA, E A INSERÇÃO DE TÉCNICAS COMPORTAMENTAIS EM GRUPO DE IDOSOS DE BAIXA RENDA QUE VIVEM A EXPERIÊNCIA DA APOSENTADORIA NO MOMENTO ATUAL.

É imprescindível conceituarmos velhice e depressão baseado no eixo Comportamental, e ainda definirmos o que vem a ser trabalho e aposentadoria, para que posteriormente possamos discutir sobre a atuação do Terapeuta Comportamental em grupos de terceira idade, onde os idosos aposentados sofrem perdas significativas de seus papéis na sociedade, e desenvolvem comportamento depressivo,necessitando de intervenções terapêuticas rápidas e eficazes.

1. DEFINIÇÃO DE VELHICE E DEPRESSÃO

A LUZ DO EIXO COMPORTAMENTAL - No Brasil a proporção de pessoas com 60 anos ou mais, subiu de 7,9% em 1992 para 9,1% em 1999, conforme dados obtidos pelo Censo IBGE (2000). Existe no meio científico uma demarcação cronológica para a velhice iniciando aos 65 anos, mas para CAVALCANTI (1995) a velhice tem sua origem a partir do nascimento do indivíduo, sendo que este é um enfoque gerontológico que se baseia no envelhecimento das parte do organismo de cada pessoa, que pode variar de um indivíduo para outro. 
PAPALIA & OLDS (2000), relata dois tipos de envelhecimento: o envelhecimento primário, que é marcado por um processo gradual e inevitável de determinação corporal que começa mais cedo na vida e continua no decorrer dos anos; e o envelhecimento secundário advindo de resultados de doenças,abusos ou desuso do corpo, sendo que este pode ser controlado pelas pessoas.
A velhice segundo MORAGAS (1991), possui 3 concepções diferentes: cronológica que marca seu inicio aos 65 anos; a funcional que determina a veDEPRESSÃO PÓS-APOSENTADORIAlhice pela incapacidade e limitação física; e a etapa vital que baseia-se no reconhecimento de que o transcurso do tempo produz efeitos nas pessoas e estas entram em etapas diferenciadas.
DEBERT (1999) comenta em seu texto, que existe um movimento que marcou as sociedades modernas a partir da segunda metade do século XIX, onde a velhice foi tratada como uma etapa da vida caracterizada pela decadência física e ausência de papéis sociais.
Ainda acontecerá, a consideração da divisão da velhice baseada em sistema cronológico nas sociedades ocidentais, sendo um mecanismo básico de atribuição de status (maioridade legal), definição de papéis ocupacionais (entrada no mercado de trabalho); formulação de demandas sociais (direito à aposentadoria); os estágios de maturidade fora do Ocidente estão relacionados pela transmissão de status social, como poder e autoridade jurídica, e na maioria das vezes depende das decisões dos mais velhos.
A divisão cronológica orienta-se pelo fato da necessidade da vida social, através dos processos de socialização e é considerada por exigência das leis que determinam os direitos e deveres do cidadão, estruturando a família e o parentesco; o envelhecimento é estigmatizado pela perda de habilidades cognitivas, controle do corpo e controle emocional, com essas perdas verificamos o aparecimento da depressão.

Algumas vezes, o terapeuta deve construir um novo repertório que seja eficiente no mundo em que o paciente se encontra. Skinner, 1953

Segundo SKINNER (1995), a cultura onde um indivíduo nasce, compõe-se de variáveis que podem afetá-lo e estas são emitidas por outras pessoas. O ambiente social é o resultado dos procedimentos do grupo, que geram o comportamento ético e a extensão dos usos e costumes. A família do indivíduo pode controlá-lo, sendo que seu ambiente pode mudar no período de vida em que se sujeita a uma situação conflitante, onde as disposições emocionais vividas pelo indivíduo ficam como responsáveis pelos comportamentos de ódio, amor, raiva ou ressentimentos gerados por atmosferas desse mesmo tipo.
Com base no pensamento de SKINNER (1995), observamos que os idosos podem apresentar sintomas de depressão devido a aposentadoria, pois quando ela ocorre o idoso não produz mais financeiramente, e muitas vezes eleva os gastos com saúde pois existe uma perda física onde as resistências são menores do que a de um jovem.
Segundo PAPALIA & OLDS (2000), o fracasso em manter um estilo de vida saudável com exercícios adequados,acontecimentos estressantes ou solidão podem disparar a depressão. Podemos então dizer, que o isolamento das atividades profissionais, produzem no idoso a solidão e incidência de pensamentos negativos que irão alterando o humor, e desenvolvendo quadro depressivo nos idosos pelo fato de não se manterem no mesmo padrão de vida.
“Alterações de situação como aposentadoria, separação do casal ou divórcio, mudança de residência ou de trabalho, isolamento ou solidão, poderão desencadear depressão. Em alguns casos,as pessoas que estão acostumadas das a trabalhar a vida toda sentemse deprimidas quando afastadas da atividade profissional, através da aposentadoria ou por qualquer outro motivo. Todo contexto de separação é doloroso, pois implica perda ou forte sentimento de incapacidade”. (JOÃO, 1987, p.22).

2. O QUE É TRABALHO E APOSENTADORIA?

De acordo com o DICIONÁRIO DE CIÊNCIAS SOCIAIS (1987), o trabalho é a capacidade criadora do homem que o liberta em relação à natureza, exige esforço frequente transformando esse homem em ser social e independente. Nesse processo o homem modifica seu meio modificando a si mesmo, portanto o trabalho ocupa uma função social que produz satisfação de acordo com a forma e meio de desempenho da tarefa, e através das lutas sociais ocorreram várias garantias de direitos aos trabalhadores, inclusive a aposentadoria.
O trabalho exerce na vida diária das pessoas grandes influências tais como: capitalista, valorização da profissionalização e rentabilidade, realização pessoal, remete ainda a uma forma de ocupação do tempo e estabelecimento de contatos sociais, onde a aposentadoria pode trazer a crise das perdas. “A concepção da velhice como um conjunto de perdas foi fundamentalmente para a legitimação de direitos sociais” (DEBERT, 1999, p. 68).
A Previdência Social no Brasil, conforme SIMÕES (1999), instituiu a partir de 1930, a aposentadoria (dispensa do serviço conservando o ordenado), ocorrendo a legitimação do direito por tempo de serviço e por comprovação de contribuição.
Segundo MORAGAS (1997), o papel do aposentado,socialmente é um papel sem papel. Espera-se que no século XXI essa nova realidade seja valorizada, prevendo uma mudança, da visão econômica-produtiva da aposentadoria para uma visão psicossocial, passando a ter “papel diferente”, a existência de outros papéis socialmente importantes para o aposentado, retirando-o do comportamento de depressão em que muitos se encontram.
Segundo SHINOHARA (1995), os sintomas de depressão podem incluir sintomas afetivos como: desalento,baixa auto-estima, perda de gratificação, perda de vínculos, períodos de choro e perda de reação de alegria; sintomas motivacionais como: perda de motivação, diminuição de atividades, desejo de suicídio; sintomas cognitivos como: baixa auto-avaliação, expectativas negativas, culpa e autocrítica, indecisão e auto-imagem distorcida; sintomas fisiológicos como: perda de apetite e interesse sexual, distúrbios do sono e fadiga; sintomas comportamentais como: passividade, evitação e déficits sociais.“[...] discriminado, inativo, vivendo em condições precárias e em situações de perda do status, do prestígio e das relações funcionais decorrentes do trabalho [...]. Conseqüentemente temos um idoso em crise: crise de identidade, que o leva, na maioria das vezes, à retração, à volta a si mesmo, à síndrome de pós-aposentadoria caracterizada pelo isolamento, pela solidão, pelo desinteresse pela vida, alcoolismo, divórcio, decrepitude, senilidade, morte social e morte física”. SÁ , 1991 citado por DEBERT (1999, p.148).
PAPALIA & OLDS (2000), afirma que a depressão pode advir de acontecimentos estressantes ou solidão, e para modificação desses comportamentos, faz-se necessário o atendimento psicológico, onde atualmente a Psicoterapia Comportamental tem obtido resultados positivos na redução dos comportamentos depressivos dos indivíduos que a procuram.

3. INTERVENÇÕES COMPORTAMENTAIS PARA MODIFICAR COMPORTAMENTO DEPRESSIVO

A terapia comportamental trata o indivíduo em três níveis complementares: cognitivo, autonômico e motor. Ajudando-o a superar influências dos preconceitos sociais em sua auto-imagem e em suas expectativas de autoimagem; fornecendo subsídios para melhor lidar com problemas de saúde; orientando e facilitando a mudança de comportamentos desadaptativos, por outros mais adequados, bem como a extinção de antigos padrões; para o bem-estar do idoso em todas as áreas da vida.
“O único meio usado hoje em dia para tratamento psicológico é a psicoterapia, considerando suas múltiplas dimensões e abordagens. A psicoterapia tem por objetivo integrar o indivíduo consigo mesmo e com o meio ambiente, através da recuperação de seus potenciais de consciência, espontaneidade e autonomia”. (JOÃO, 1987, p.112) Os comportamentos depressivos podem ser trabalhados de acordo com CAVALCANTI (1995), com a utilização de técnicas para intervenções comportamentais, ensinando aos clientes como reconhecer e corrigir os pensamentos negativos, através da utilização do reforço positivo, modelagem de comportamento através da observação de outros indivíduos no grupo terapêutico.

4. COMO UTILIZAR AS TÉCNICAS EM GRUPO DE IDOSOS DE BAIXA RENDA

As técnicas comportamentais mais usadas em terapia com depressivos incluem atividades planejadas englobando exercícios de controle e prazer, ensaio cognitivo, treinamento da autoconfiança,dramatização e técnicas de distração.
Inicialmente o terapeuta necessita conhecer cada indivíduo através da entrevista inicial, e para atendimento em grupo, haverá necessidade da entrevista de triagem, estabelecendo as prioridades de atendimento.
Após a formação do grupo, inicia-se a fase de conhecimento e posteriormente o trabalho de treinamento de habilidades sociais, que conforme FALCONE (1995), tem como objetivo ajudar na interação e aumento da satisfação nas relações sociais.
DEL PRETTE & DEL PRETTE (1999), relacionam as principais técnicas comportamentais utilizadas em desenvolvimento de habilidades sociais, são elas: ensaio comportamental; reforçamento; modelagem; modelação real e simbólica; feedback verbal e videofeedback; relaxamento, tarefas de casa e dessensibilização sistemática.
O Desenvolvimento de Habilidades Sociais, exposto por FALCONE (1995), possui vários fatores curativos, sendo: instalação de esperança através de relatos de pessoas que já passaram pela mesma experiência; universalidade – sentimento de não estarem sozinhos com seus problemas; oferecimento de informações pelo terapeuta ou outros membros do grupo; altruísmo – sentimento de ser útil para os membros do grupo; desenvolvimento de técnicas de socialização onde ocorre aprendizado social; aprendizagem interpessoal; catarse – capacidade de expressão dos sentimentos e emoções fortes sem medo da não aceitação do grupo; reedição corretiva do grupo familiar primário – testagem de novos comportamentos; fatores existenciais – responsabilizando-se pela condução da própria vida; aceitação, apoio mútuo.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS.

Seria interessante se houvesse um planejamento da aposentadoria não só para prevenção de necessidades financeiras, mas também para a estruturação da vida pós-aposentadoria para torná-la agradável e significativa, prevendo problemas físicos e emocionais, e discutindo ainda como a aposentadoria afetará outras pessoas do ambiente familiar, pois esses novos padrões podem trazer transtornos aos idosos; como por exemplo, a perda da independência que traz angústia e pensamentos negativos, isolamento e conseqüentemente solidão, por perderem o contato freqüente com os antigos amigos do trabalho.
Consideramos que o atendimento em grupo só tem efeitos positivos (mudança do comportamento problema), quando cada indivíduo se empenha e sabe da necessidade de mudança do próprio comportamento, pois esta só ocorre quando o indivíduo está disposto a ampliar ou modificar seu repertório comportamental e extinguir outros.

AUTORA | Roseli de Melo Braga dos Reis.
Psicóloga – CRP 04/21360
Artigo apresentado à Disciplina Estágio Supervisionado.
(Em 2002 - Centro Universitário Newton Paiva)

Revista de Psicologia ATLASPSICO nº 02 | ago 2007

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Autor 

02/08/2007   Roseli de Melo Braga dos Reis
 
     
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